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O que poderia ter sido e não foi
A realidade e a ficção na vida de um homem
Uma vida de luxos e uma aparente estabilidade familiar em plena época do regime militar. Para muitos que viveram esse período, ter uma família e morar em lugares nobres em São Paulo era como viver em um mundo à parte, onde tudo corria às mil maravilhas e essa situação era ainda mais forte quando um parente fazia parte da alta patente militar. Essa foi a vida do paulistano José Waeny até sua adolescência, porém a fortaleza familiar um dia desmoronou e ele conheceu a realidade amarga da vida.
Os anos se passaram e ele formou sua própria família, apesar de carregar os fantasmas e traumas de um episodio familiar que transformou sua vida. Mais adiante ele receberia a informação de que uma irmã, fruto de uma relação de seu pai, estava à sua procura para compartilhar uma herança. Até aqui tudo que foi vivido é real e após isso, a fantasia se mistura à realidade.
Assim, com o desejo de criar uma história que gostaria de ter vivido, José Waeny tirou da gaveta o velho sonho de se tornar escritor e assim surgiu o livro “Herança Viva”.
“Eu já havia conhecido várias cidades italianas, inclusive Milão. O interessante foi imaginar, por muitos anos, onde ficaria a vinícola de minha irmã Mirella, pois eu conhecia a região. A grande reviravolta, foi a expectativa de receber milhões de euros, e também o perigo de ser assediado ou ameaçado por mafiosos italianos, os ex-cunhados de Mirella”, conta Waeny.
Ele não esconde que a possibilidade de misturar realidade e ficção pesou na sua decisão de escrever o livro. “Eu sempre achei a história da irmã desconhecida muito rica e que daria um livro. Quando decidi colecionar os documentos e montá-los com diálogos e questões paralelas de minha vida, já tinha a história fictícia montada em minha cabeça. Tudo o que escrevi, é um compendio de contos que imaginei que poderiam acontecer no caso de encontro com Mirella, ou minha ida até lá”.
Voltando à realidade, José Waeny afirma que apesar de ser uma criança na época, os anos do regime militar deixaram marcas em sua vida, mesmo tendo o pai como um militar importante. “Meu pai foi de fato um militar de alta patente atuante no regime militar, mas eu era uma criança, ainda muito jovem para entender os perigos, mas presenciei cenas de terrorismo contra ele e alguns amigos dele”, recorda o escritor.
Segundo ele, o pai também foi professor de renomadas universidades, e viu alguns alunos desaparecerem sem deixar vestígios, e em vários momentos alguns se esconderam em sua casa. Ele define o pai como um homem poderoso e frio, que está mais interessado no regime do que na família, e que vê seu poder esvair-se com a abertura política, o que o faz perder o rumo das coisas. “Após a abertura política, meu pai não soube se reposicionar perante à vida e à própria família”.
Herança Viva é um livro que consegue se identificar com o leitor que passou dos 40 anos de idade e com os mais jovens, que através da leitura viajam com o autor e conhecem fatos reais de uma das épocas mais conturbadas do Brasil. A realidade e a ficção, regada a momentos de tensão e fortes emoções prendem o leitor do começo ao fim do livro.
AM3 Conteúdo – Assessoria de Imprensa (www.am3conteudo.com)images